Igor caminhava pela passarela, envolvido em meio às sombras que a noite impõe. Essenciais para a falsa segurança dos seres humanos, as luzes artificiais estavam apagadas, impedidas de serem acesas pelo descaso e pala insuficiência dos recursos naturais. Igor continuou seu percurso sobre o elevado, vendo abaixo de si os faróis brancos e vermelhos dos carros e à sua altura mal poderia definir os olhares brancos das pessoas que o acompanhavam ou passavam por ele.
Ele desce as escadas. Os degraus molhados e macios, mas sabe que não choveu horas antes. Não lhe é possível ver no que pisa e prefere assim mesmo sabendo que as solas dos tênis estão esmagam algo. Ele segue seu caminho até o ponto do ônibus. Está logo ali, há poucos segundos.
Parado, Igor sentirá os ventos dos veículos jogados em seu corpo como se eles rompessem a barreira do som. A poluição quente será inalada pelos pulmões. Talvez uma moça se assuste com o barulho e a ventania no meio do escuro e esbarre no braço de Igor. Talvez ele deixe cair celular disposto em sua mão e, se de fato o fizer, o aparelho se desligará. Então tateará o chão imundo em busca dele. Mas, ao se levantar, Igor terá a impressão de ver os passageiros dentro dos ônibus com olhares perdidos, como fantasmas numa locomotiva assombrada destinados a lugares desconhecidos por estarem lúgubres demais somente sob a luz do luar.
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