segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reservado



Aos 14 anos, depois de sair da escola peguei o metrô na estação São Bento com destino à Paraíso. Nessa época eu praticava a loucura de não comer nada das 7 da manhã até à 13h, ou seja, uma hora daria problemas e, certa vez, por ironia do destino desmaiaei na Paraíso. Burro.

Mas neste dia, ocorreu outra história. Devido à falta de alimentação, quando o vagão esvaiziou na Sé, sentei num dos bancos que ficam ao lado das portas auomáticas. Não me recordo se nessa época os assentos reservados possuíam a cor acinzentada, porém mesmo antes dessa mudança sempre houve placas que indicavam o acesso à pessoas necessitadas.

Enfim, era horário de almoço, esyava com fome e cansado, sentei. Só que naquele mundaréu de gente que entrou pelo outro lado do vagão, um senhor parou à minha frente. Dali até a Liberdade, ficou esperando por algo. Tomei a minha liberdade de ficar ali mesmo. No entanto, a pessoa que estava ao meu lado cedeu seu lugar.

O idoso quis tirar satisfação. Primeiro perguntou em que escola eu estudava. Respondi já que meu uniforme me denunciava. Depois questionou se lá eu aprendia educação. "Sim", falei, "e em casa também". Ele bufou enquanto explicava porque não lhe cedi o lugar. O velho puxou conversa com uma mulher me questionando já que obviamente não acreditou. Daí, simplesmente disse: "não encha meu saco".

Fui sentado até a estação Paraíso ouvindo besteiras à minha volta. Desde aquele dia aprendi três lições: não deixar de comer na hora certa, não sentar em um lugar sem saber se alguém mais necessitado (ou desesperado) estiver presente e SEMPRE carregar um walkman.

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